sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A volta dos mortos-vivos

Resgatei do limbo cibernético algumas postagens antigas sobre o conflito sírio. Ver estes textos me obriga a tirar duas conclusôes: eu escrevo mal pra caralho, mas mesmo assim estava com razão.

domingo, 9 de março de 2014

Ucrânia, Rússia e o Ocidente

A recente crise na Ucrânia não trouxe ao mundo o perigo de uma guerra entre a Rússia e o Ocidente. Trouxe algo muito pior, um atestado de quase óbito do Ocidente que, vendo a Rússia simplesmente rasgar e jogar na lata do lixo o Memorando de Budapeste, não teve forças para agir.

Assinatura do Memorando de Budapeste, pelo qual a Ucrânia aceito se desfazer de seu arsenal nuclear, o terceiro maior do mundo, em troca da promessa russa de respeitar sua soberania e território. EUA e Reino Unido também assinaram o acordo, sendo corresponsáveis por garantir seu cumprimento.






Esperavam alguns que EUA e Reino Unido reagissem energicamente contra a agressão russa, uma vez que a isto seriam obrigados pelo Memorando de Budapeste. Mas a resposta do Ocidente foi uma tímida retaliação econômica e diplomática, como congelamento de bens e passaportes. E mesmo esta resposta não veio sem choro e medo por parte dos ocidentais, temerosos em ver o dinheiro russo indo embora, prejudicando suas economias numa época de crise.

Este é, portanto, o infeliz quadro geopolítico do mundo. De um lado temos uma Rússia vigorosa, colocando trinta mil soldados seus para invadir um país vizinho. Do outro, um Ocidente amedrontado, com medo não apenas de perder a vida de alguns soldados numa guerra, mas medo inclusive de perder algumas centenas de bilhões de dólares para retaliar a Rússia economicamente. Uma atitude bem diferente daquela de um ano atrás, em que Obama e David Cameron até pareciam machos, mas para defender os jihadistas da Síria.

Tentarei falar mais sobre como o Ocidente ficou assim em outras postagens. Nesta, ficaremos por aqui lembrando aquela frase que diz que "a fraqueza atrai a agressividade". Essa mostra de fraqueza ainda nos trará problemas muito maiores.





sábado, 31 de agosto de 2013

Síria e a Terceira Guerra Mundial

Este blog já tratou do assunto da Síria em junho do ano passado e previu com grande acerto o conflito global que agora se anuncia mais do que nunca.

Apesar da vergonhosa derrota sofrida por David Cameron, fruto da rebelião de valorosos conservadores e liberais, o presidente Obama ainda se mostra resoluto em atacar Assad, mesmo sem a autorização do congresso. Do outro lado, a Rússia não apenas segue firme em sua posição de defender o regime sírio, como estrá disposta até a atacar os sauditas (de quem rejeitaram uma trilionária oferta), principal suporte financeiro dos islamitas.

O cenário de uma grande guerra vai tomando contornos nítidos. As peças vão sendo colocadas no tabuleiro. Só falta o primeiro disparo que, a depender dos ânimos, não tardará.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Síria sob o cerco globalista

A Síria assiste hoje, tal como os outros países árabes, uma guerra entre os potentados globalistas dentro de seu território. Entender o que se passa lá é importantíssimo para entender o que está acontecendo no mundo.


Socialismo Árabe x Fraternidade Islâmica


O Socialismo laico, uma ideologia de caráter nacionalista e laicista têm uma origem que remonta à própria origem do nacionalismo no Ocidente. Tanto os turcos, do Império Otomano quanto os árabes, dominados pelos turcos, entraram na moda de colocar as supostas unidades étnicas acima de qualquer laço religioso. Tal ideologia conheceu seu apogeu com o movimento anti-colonialista no séc XX, sendo amplamente explorado pela URSS e China, países que ainda hoje dão suporte para os regimes socialistas árabes.

Cousa mui distinta é a ideologia da Fraternidade Islâmica, que nasce no séc XIX, também inspirada na luta anti-colonialista, mas voltada para a unidade islâmica, unidade religiosa. É meio que um equivalente islâmico de teologia-da-libertação, pois os seus membros, dada as atrocidades que cometem com os seus próprios compatriotas e irmãos na fé, não devem ser muito dados à prática religiosa... preferem imanentizar o eschaton e matar meio mundo em nome de Alá!

São estes dois lados que estão se degladiando na Síria. E, como se vê é Belzebu contra Satanás.


Mas uma coisa é muito curiosa: A aliança russo-chinesa, ao mesmo tempo em que apóia o socialismo árabe, apóia também o xiismo islâmico dos Aiatolás do Irã.

Por outro lado, a Fraternidade Islâmica, juntamente com os salafistas, parecem receber apoio do Globalismo Ocidental. O que é muito engraçado, visto que faz parte deste pessoal islâmico a própria Al-Qaeda de Osama Bin Laden...

Sim, seria um retorno a uma antiga aliança onde os EUA apoiaram os mujahedins afegãos na resistência contra a URSS. Mas, qual será a do Ocidente? Estaria a Elite Global Antlantista fazendo isto tão somente para minar os interesses sino-russos? Ou então, o objetivo é tão somente o de favorecer o islamismo a despeito de um suposto prejuízo dos interesses comunistas? Ou, pior, seria Barack Obama, cuja carreira acadêmica foi financiada pelo príncipe bilionário saudita Al-Waleed Bin Talal, um agente duplo, que pretende, com a desculpa de prejudicar os interesses russo-chineses, fomentar a ascensão islâmica nos domínios outrora ocupados pelos arabistas laicos?

Enfim... qual é a da elite Atlantista ao apoiar os islamistas? Qual é a do Obama nesta jogada? A que interesses serve?

Mas o fato é que as movimentações no mundo árabe nos mostram claramente os três atores no jogo geo-político global: Ocidente Novordista, Russia-China e Islam. Por enquanto, o lado mais fraco (nas aparências) é o Islam. Ele se move orientado pelo apoio recebido do elite novordista atlântica e contra um inimigo interno apoiado pelo esquema sino-russo. Ademais, uma vez triunfante o Islam da Fraternidade Islâmica, haverá um inevitável conflito interno de proporções muito maiores para ver quem manda, se será a Irmandade, de caráter inegávelmente sunita, se serão os Xiitas do Irã ou os Salafistas da Arábia. Ou então, o mundo islâmico seguirá como sempre foi, uma hidra de várias cabeças, mas que ainda assim consegue agir mais ou menos articuladamente pelo mundo.

Seja o que for, o presente conflito nos mostra que a própria Síria não tem nada a ver com o que ocorre em seu território. O ocorre lá é o prenúncio de um conflito global vindouro. São as Três Forças que pleiteiam o domínio global ora se digladiando, ora se apoiando, para medir forças e ir, desde já, ganhando terreno.

E que Deus tenha piedade de nós e dos Sírios. Pois em verdade, nesta luta só tem filhos-da-puta. Confesso que nesta história toda sou pró-islâmico, mas não deste islamismo de guerrilheiro metido a mártir que nunca deve ter feito uma oração sequer na vida. Pois, do contrário, cairemos todos nas garras ou da nossa elite novordista, hedonista, gnóstica e arrogante, ou da elite sino-russa, nihilista até a medula.